quarta-feira, 9 de julho de 2008

Do divã – Caso 1

Relato
Mirabella não sabe ser normal. No sentido de se sentir, simplesmente, normal, entende? Não consegue ficar nem-feliz-nem-triste, só “normal”. Suas emoções são como um pêndulo: hora no alto, hora embaixo, nunca neutras. Subir numa pedrinha no meio da rua pode fazer como que ela se sinta no topo do Monte Everest; tropeçar num buraco, pode deixá-la como na areia movediça. Quando se estabiliza, ou é no alto, ou embaixo. Assim, seu “estabilizada” não quer dizer “estável”, razoável, médio ou normal. Descobriu que obedece à lei da gravidade, mas em dois sentidos: tudo o que sobe, desce; tudo o que desce, sobe.

Em uma semana especialmente cheia de pedras e buracos, nauseou-se com os sobressaltos e decidiu mudar. Gastou dias inteiros estudando cada artigo daquela lei pra achar uma exceção. Subiu e desceu as escadarias de muitas bibliotecas. Até que jogou os papéis da pesquisa do último andar de uma delas. “Tudo o que sobe, desce”. E os papéis foram pegos pelo vento, subiram, ainda mais, pelo céu da cidade. Alguns foram encontrados na grama do parque, outros devem ter se enroscado em algumas nuvens. Talvez caiam com a próxima chuva e alguém possa retomar a pesquisa. Mirabella desistiu de pesquisar, estava ficando enjoada com aquele “marasmo”, foi andar de montanha-russa.

Diagnóstico
Não foram encontrados indícios de paranormalidade ou normalidade crônica, apesar das tendências neuróticas. A paciente é perfeitamente anormal.

Profilaxia
É necessário cuidado caso o parque de diversões feche. Evite os feriados vazios e as comidas sem sal.

Tratamento
Duas doses de pimenta ao dia são indicadas para manter as taxas de sanidade
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Um comentário:

Grande Rael disse...

haha mto bom
e o formato tb, relato de caso ;)