quinta-feira, 14 de junho de 2007

Por que jornalismo

Quando pequena tinha sonhos e ideais de vida como um plano muito claro do futuro – plano que foi mudando com o tempo, mas sempre um plano. Sabia o que queria fazer, como queria “contribuir com o mundo”. Independente da profissão que escolhesse, ela seria apenas uma meio para alcançar os objetivos. Continuo achando que o importante é a pessoa que você se torna, seja médico, dono de floricultura ou pára-quedista, mas a profissão pode revelar muito sobre alguém. Pois é, acho que, pra mim, a descoberta veio ao contrário: preenchi a inscrição da Fuvest com a bendita carreira 242 porque era a que mais simpatizava, o surto de escolher jornalismo havia ocorrido dois anos antes, mas só depois os motivos foram vindo à tona. Mais do que conhecer a profissão, vou me conhecendo e descobrindo que meu surto no escuro foi um golpe de sorte certeiro.
Ok, agora vamos ao que já descobri: odeio rotina e isso não existe no vocabulário de um jornalista, o qual é bem vasto, pois ocorre comunicação o tempo todo, com todo o tipo de gente e por todos os meios; posso ser utópica, mas acredito que é possível sim mudar o mundo (ou partes dele) através da comunicação, aliás, apenas assim, o que me faz sentir feliz só por estar nesse caminho, mesmo que ele tenha desvios indesejados. Descobri que gosto de lidar com pessoas, que quero fazer entrevistas, investigar um mistério, denunciar o que ninguém vê, ajudar uma ONG, descobrir realidades sociais como elas são, gritar pelo meio ambiente, viajar sem destino, ficar um mês com os índios da Amazônia e escrever um estudo, tirar fotos escondida, rir com a equipe da redação, escrever uma crônica, organizar encontros, não ter hora pra chegar. Mas a melhor descoberta é que a descoberta em si é infinita.
No horizonte, vejo minha imagem daqui a 50 anos, vejo a trilha que terei traçado. Nenhuma delas tem contorno nem forma, são tão confusas como um adolescente em orientação vocacional. Mas elas têm vida e vontade de viver – acho que tinha razão quando era pequena, era essa a parte clara do plano do futuro. Por que jornalismo? Porque é uma profissão muito viva. Jornalista não por um objetivo concreto, nem por fama ou por dinheiro (seria melhor escolher outra carreira pra isso, não?), apenas por essa maneira de viver!

5 comentários:

Camila disse...

É muito legal ler isso de vc. Acho que quem escolhe jornalismo nunca se sente confortável com algo, e vc colocou isso mto bem, de querer fazer algo que interfira nessa corrente de injustiças e miséria que a gente vê tão freqüentemente. Às vezes me pego sendo um pouco cético quanto ao poder da comunicação, parece que tá tudo indo pro saco, e ao ler isso de outras pessoas é como se o meu ânimo, minha esperança voltassem à tona. E acredito que isso não acontece apenas comigo.
É bom estar em um lugar em que vejo que as pessoas têm muito em comum: interesses, modos de pensar e de agir. Fora a coincidência de termos escrito 242 na carreira da fuvest, vejo cada vez mais que temos muito mais em comum...ainda bem.

Beijos!!

marianna disse...

Acredito que desde muito pequenas a profissao que escolheriamos estava de baixo de nossos pequenos narizinhos ! Enquanto brincavamos de detetives, agora vejo o que era evidente, mas o que meus olhos nao enchergavam atras daquele par de oculos...Voce com o pikachu gravador nas maos, sempre entrevistando os guardas! E eu, sempre analisando os fatos, tentando trazer a justica a tona, sempre defendendo e acusando!
Como as coisas sao incriveis !
Penso agora, sem duvida alguma, de que seremos proficionais muito competentes...nao so tendo a faculdade como fonte de nosso conhecimento, mas tendo a nossa amizade e infancia como o ponto de partida, como aquela sementinha que acabei de plantar no meu jardim, que um dia vai crescer e florecer...assim como nos !
Saiba que sou eternamente orgulhosa de voce !

Beijos da Maricota

Cris Sinatura disse...

às vezes acho que escolhi a carreira errada, apesar de ter me decidido por ela há 5 anos.

mas aí penso nas pessoas incríveis que têm estado comigo nessa jornada e leio as coisas brilhantes que elas escrevem, e então tenho certeza de que não há vida melhor que essa!

Lia disse...

"você acha que é preciso otimismo para construir um novo país?"
"sim"
"e você concorda que otimismo é o ópio do gênero humano?!"
independente do que Ludvik acha, bru, o otimismo é o último ´pio do gênero humano. pelo menos para mim,e para você (pelas suas belas palavras)
grande beijo, camarada ,-*

ps: jornalistas em geral tem razões parecidas, não é mesmo? ^^

Camila disse...

Segundo Foucult, o comentário pode contruir um outro diálogo com o primeiro. Ele pode revelar o oculto e dele se extraem novos diálogos em novos planos de significação.

Não é demais, isso? Adorei esse mundo de blogs!