segunda-feira, 18 de junho de 2007

O dito cujo


Não sei o que acontece que debilita minha capacidade escrever um texto sobre um acontecimento muito intenso e recente. Talvez seja o quase esgotamento do tema nas conversas da semana posterior inteira (e partes das semanas seguintes). Talvez seja a dificuldade de juntar todos os fragmentos do evento e organizá-los num texto só – tudo faz sentido no brainstorming, mas na hora de juntar, a ordem das peças muda e sempre parece que falta alguma.

Peraí, duvido que alguém tenha conseguido reunir todas as peças, cada narrativa é bem diferente! Todos vivemos o mesmo Juca, mas cada um criou o seu Juca, que vai lembrar e contar pros netos (ou não haha). É, pra quem ainda não tinha sacado, estou falando dos Jogos Universitários de Comunicação e Artes, que ocorreram num intervalo de tempo bem relativo, entre os dias 7 e 10 de junho, no longínquo vilarejo de Registro, interior de SP.

Milhares de universitários de 8 faculdades do estado misturavam-se e diferenciavam-se pelas ruas, ginásios, escolas, restaurantes e até casas de família da cidade. Calouros naquele mundo, logo aprendemos a peculiar língua jucana, entoada nos mais diversos volumes e sempre acompanhada por movimentos descoordenados e empolgados. A sua camiseta denuncia sua tribo e, por identidade reativa, você sabe que todas as outras são seus inimigos. Mas até o conceito de inimizade no Juca é relativo, é apenas um pretexto pra externar a energia jogando com gritos de guerra.

Outra coisa bem relativa é a integridade física e mental dos jucanos: limites entre cansaço e empolgação, sobriedade e ‘loucura’ são totalmente irrisórios. Logo no primeiro dia, descobri que o corpo tem alguns limites e que o sistema de serviços de cidades de interior, especialmente em feriados, também. Depois de uma aventura pelos hospitais e farmácias da cidade e de um certo “repouso” (repouso no Juca pode significar uma ou duas horas sem pular, gritar ou ingerir substâncias derivadas da cevada e afins), a energia amarela e roxa já me fazia pular novamente no jogo Mackenzie Vs. Eca, no Entro Esportivo Mário Ovas.

Nem só de jogos vivem os jucanos, as festas e a vida no “alojas” são capítulos à parte. O improviso e a convivência atingem graus inimaginavelmente estranhos e cômicos, mas que promovem a integração e intensificação das amizades (e da intimidade) como em poucas outras situações. Se pudesse criar um neologismo, diria que esta é a parte mais jucástica do Juca!

Como se já não tivéssemos enchido nosso repertório de histórias pra contar e já não estivéssemos preenchidos dos mais intensos tipos de emoções, presenciamos mais um fato histórico em 14 edições do Juca: a vitória da Eca! Sim, Egistro ficou roxo e amarelo! A energia da comemoração foi mais forte do que o penta na Copa do Mundo! Ninguém sabia mais a hora de parar, mesmo que as pernas não respondessem, a inércia da felicidade ecana nos movia.

É, chegou a hora de voltar, e, como tudo nesses quatro dias, até a volta pareceu não ter fim. Pra mim, o maior choque na chegada foi perceber como permitimos nos desligar totalmente do “mundo real” pra viver plenamente esses dias incríveis, embaralhados, estranhos, divertidos e eternos.

(Por fim, consegui falar sobre o Juca num texto com começo meio e fim – bem diferente das lembranças embaralhadas do dito cujo e sem as histórias pros netos, afinal, essas, além de envolverem direitos autorais alheios, merecem ser guardadas pra eles;)

3 comentários:

Cris Sinatura disse...

eu nem tenho o que falar sobre o JUCA.

mas não posso deixar sem comentário um evento como esse que, só a gente sabe, foi eterno!

Camila disse...

Vale lembrar que, não sei porquê, a identidade reativa funcionava com muito mais intensidade quando nós víamos o chupa mackenzie...hehehe
Egistro vai ficar pra sempre em nossas memórias!

Lia disse...

Egistro...
Entro esportivo Mário Ovas- grande lugar!
vai ficar na memória sim^^
o negócio é torcer pra o do ano que vem ser melhor ainda =]
gostei da sua narração sobre o "dito-cujo"

=0****