sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

.fim de festa

Não sei qual o problema das pessoas com os finais das festas. Quando todos os que não habitam a casa habitualmente vão embora. E ficam as luzes acesas, os sofás desarrumados, copos nos cantos mais inusitados, restos de tudo quanto é coisa, os móveis levemente movidos, a fagulha dos talos de vela pingando cera em estalactites e a trilha sonora, que passa a se sobressair.
Toda essa desordem costuma incomodar terrivelmente os moradores do local, que instantaneamente se transformam nos mais ágeis arrumadores, prontos para restabelecer a mais perfeita ordem do ambiente.
Tão apressados, que despercebem as emoções que ainda ecoam no ar. O abajur piscando aquelas juras de amor escondidas, as torneiras tilintando as fofocas da cozinha, o ventilador ainda dissipando o burburinho do pessoal, o pé da cadeira gritando a dor do choque com o dedão da comadre que, por sua vez, gritava com o compadre. Um retrato do que foi a comemoração em seus mais detalhados detalhes, esvaindo-se calmamente, conforme se abaixa o som duma faixa de CD.
Mas o tom da fotografia varia de acordo com os olhos que a enxergam. Talvez por isso alguns se apressem tanto para apagá-la, enquanto outros saboreiam o finalzinho do gosto que fica na boca. Afinal, o fim da festa depende exclusivamente do seu meio e seu início.

Um comentário:

Grande Rael disse...

Fudido escaleira
nostalgia é um dos melhores sentimentos da vida. E a bagunça de fim de festa tem um caminhão disso