domingo, 13 de junho de 2010

.escrevemos porque não somos gatos

Poderia ser índia e atravessar, todo dia, os desconhecidos desafios da selva. Ou então, andarilha, para descobrir os detalhes do submundo, aos quais têm acesso somente os encrencados ou desprovidos de oportunidades. Depois, seria rainha, para sanar as angústias do meu reino com o simples toque do meu cetro. Seria viajante, poeta, artista de circo, executiva. Se dispusesse de tantas vidas, em uma delas, seria até freira, para investigar o que há por baixo das batinas.

Mas cada um, neste mundo, dispõe de apenas uma vida, única, incrível e imensurável oportunidade de explorar e mudar este universo enorme – o qual, um único ser jamais será capaz de apreender sozinho.

E é por isso que escrevemos. Na impossibilidade de viver todos os papéis em uma única existência, burlamos as regras do destino e escolhemos o papel de escritor. Sob tal identidade, ganhamos o inigualável poder de performar os mais diferentes papéis, viver infinitas histórias e experimentar os mais contraditórios pontos de vista. Tudo isso sem perder a identidade e sem precisar buscar o mítico poder dos gatos de viver sete vezes.

5 comentários:

Alice Agnelli disse...

Uau, Bru, muito bom!

E me fez pensar nos atores. Eles também atuam porque não são gatos.

Gustavo Braga disse...

para mim, ninguém que não seja escritor pode sentir tão na pele o que é escrever, como você descreveu aqui. mesmo que, por algum motivo, diga a alguém que não é escritora, mentirá. afinal a sensação nítida do que é nadar num mar de palavras, é do escritor e só.

Krika disse...

opa!
achei o teu blog com aquele esquema de "proximo blog"

parabéns pelas palavras

beijao

Grande Rael disse...

fudido

Translation services disse...

How could I have missed this blog! Its incredible. Though you make some VERY fascinating points, youre going to have to do more than bring up a few things that may be different than what weve already heard.