Quem bate à porta
Você bate na porta novamente
Corro a abrir, fosse o mundo desabar
E então paro, assim, de repente
Penso se iría a angústia acabar
E não tenho certeza.
Você bate à porta, novamente
Eu quero, eu deixo você entrar!
Mas não, não pode ser assim descrente
Displicente, simplesmente sem lugar
Lugar que já é seu.
Tão seu, tão meu, por ocupar.
Tão, tanto, muito mutuamente
Certo da incerteza de habitar
Pois já sem identidade, indigente
É você quem bate?
Eu bato à porta, eu mesma abro.
E você, onde foi parar?
Aqui, aqui mesmo, aqui dentro
De um mundo de possíveis a chegar
Que chegam sem parar.
Na sala de estar, espere
Se quiser, não há de se importar
Sem egoísmo, digo que espere
Pois a dúvida só calará
Ao encontrar-me nas possibilidades
E se mostrará sua identidade
Quem bate à porta é o revelar.
*****
Freqüência
Sintonizei a estação proibida
Permiti que as canções entrassem
Nas memórias nada perdidas
De perder-me nos teus braços
Nos pensamentos dos teus passos
Nos passos do meu caminho
Desviado do sozinho
Não mais
Nada mais de só, nem de apenas
Tardes de agitação serena
Nuvens de coisas pequenas
Desfeitas.
Tudo é grande, tudo agora
Permanente movimento
Pensamentos, sem demora,
Encontram-se, são vento.
Voam alto e longe
Somem no céu, cobrem o mar
Ouvem-se vazios, cheios de plenitude
Pois é, aqueles versos pequenos
Aqueles minutos, acenos
Nada têm de amenos
Chega de divagar
Só quero ver voar, ir e voltar
Viajar, encontrar
Sentir, descobrir
Perder-me.
*****
Pra curtir uma poesia
Tem que ser bem de perto
Ao concerto do som certo
Sem pressa, sem malícia
Tem que ser acompanhado
De sentimento acalorado
Sensação propícia
Tem que ser em labirinto
Zigue-zague de extinto
Sem demora, sem senão
Largar tudo de ante-mão
Descobrir a emoção
Acoplar o coração
à mente.
3 comentários:
além de tudo, é poetisa.
;)
Aiai... esse povo mil e uma utilidades! =)
Lindas as poesias... Adorei...
Confesso, não li.
Não gosto de poesia, to com sono, tem juca depois de amanha, tem projeto da junior que nao ta saindo, tenho dor de barriga. Mas prometo que venho ler o que nao for poesia por aqui qualquer dia desses, ok?
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